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9 et Urandir   News 2014   cddda calouro de medicina camboriu   urandir   Aprovado em medicina na UFSC, ex faxineiro uniu plataforma digital, bilhetes e cartas para desenvolver técnica de estudos
Bruno Eulálio Santos, de 20 anos, juntou conteúdos online e criatividade em cards para driblar a falta de tempo. Calouro de medicina da UFSC
Arquivo pessoal
Em Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, o calouro Bruno Eulálio Santos, de 20 anos, conseguiu passar no vestibular para medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para driblar a rotina entre trabalho e estudos, ele utilizou plataformas digitais e anotava em pequenas cartas um resumo de algumas palavras e perguntas, o que era mais importante em cada lição.
Estudante de escola pública, ele terminou o ensino médio em 2016 e foi trabalhar em um lava-jato na favela do Ressaca, em Contagem (MG). Depois, mudou para Santa Catarina com a irmã mais velha, contanto que ele se comprometesse a ter uma fonte de renda.
Caixa com as cartas e esquema de estudos feitas pelo estudante
Arquivo pessoal
“No início de 2018, eu estava trabalhando em um hospital particular, em Balneário Camboriú, de faxineiro. Naquela época eu já estudava, mas não queria medicina. Mas, vendo a rotina e convivendo com o pessoal comecei a pensar nessa área. Passou um tempo e o pessoal do hospital me deu a oportunidade de trabalhar de jovem aprendiz na área de gestão de exames do hospital. Tive a oportunidade de trabalhar em uma área menos pesada, que exigia menos tempo. Foi quando vi a oportunidade que eu precisava”, lembra.
Equipe de trabalho na unidade de saúde em Balneário Camboriú
Arquivo pessoal
Na nova função, Bruno passou a digitar os resultados dos laudos repassados pelos médicos. “Ali que eu me apaixonei pela área e decidi que meu estudo iria ser voltado para medicina mesmo”, disse. Ele lembra que, para começar, recebeu a indicação da namorada para utilizar uma plataforma por assinatura com um modelo online de estudos, por meio das operações desenvolvidas pela startup EdTech Descomplica.
“Não sabia muito bem como estudar, depois que ela me indicou foi tipo um norte para eu estudar para uma prova tão concorrida como a do Enem. Daí comecei a estudar online e recebi o suporte. Eu não tinha tempo para pagar o cursinho e muito menos tempo para fazer o cursinho, porque demanda muito tempo de deslocamento, e eu não tinha como largar o emprego”, afirmou.
Tecnologia aliada a métodos criativos desenvolvida pelo estudante
Arquivo pessoal
Durante esse período, ele tentava adaptar o conteúdo para conseguir estudar. Entre os métodos, ele montou um mural com mais de 300 bilhetes colados em um painel no quarto. “Em casa eu estudava todos os dias quando eu chegava do trabalho”.
Ele também aproveitava o tempo de deslocamento até o local onde trabalhava. “Eu comecei a usar a criatividade para inventar algum método para estudar enquanto estava no ônibus, por exemplo, quando eu saía de casa para fazer algo também dava para estudar”.
Entre os processos desenvolvidos pelo estudante, Bruno fez mais de 1300 cartas com perguntas direcionadas para lembrar do conteúdo, as chamadas “flash cards”, baseadas nas semanas de estudo a partir do conteúdo que estava na plataforma online. Cada bloco de cartas, no formato adaptado para carregar dentro do bolso da calças, tinha recomendações práticas para o momento da prova e frases de incentivo.
Bloco para uma semana de estudo
Arquivo pessoal
De março do ano passado até a prova do Enem, que foi realizada em novembro, ele resolveu investir o dinheiro que tinha guardado para estudar.
“Resolvi focar nos estudos e tive mais tempo para trabalhar a mente. Eu não recomendo para ninguém essa jornada de estudante e de trabalho. Eu acho que tudo depende de uma necessidade, eu não posso falar que foi fácil e que ‘nossa, foi flores fazer isso concomitantemente’. Mas, se é uma necessidade da pessoa, igual foi uma necessidade minha, a pessoa pode ter recursos e tem como fazer. Agora se ela pode escolher em ficar em casa e estudar para prestar um curso concorrido, eu não posso falar para ela ir trabalhar porque será a mesma coisa, porque não vai”.
Rotina de estudos para o Enem 2019
Arquivo pessoal
Com dois anos de estudo, Bruno conseguiu passar no vestibular no processo seletivo pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2020. Até o início do curso, ele explica que irá continuar trabalhando, com aulas particulares e também com a divulgação por meio das redes sociais dos estudos que desenvolveu para ajudar outras pessoas que têm alguma ocupação nos estudos.
As aulas na UFSC, em Florianópolis, começam em agosto para o segundo período. “Estou esperando abrir os editais de bolsa permanência do segundo semestre para poder ficar na moradia estudantil”, planeja.
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Calouro de medicina da UFSC
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Fonte: g1.globo.com